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Tenho saudades de quando tudo era mais simples, tudo era como tinha de ser. Tudo vinha ao sabor do vento, e eu nem me apercebia do tempo que tudo levava a ir. era tudo tão mais rico. O sabor da ingenuidade sabia tão bem, e o sabor da felicidade sem fronteiras, era ainda melhor. Aquilo que realmente importava, era o que o nosso coração dava, a todas as horas do dia, sem nenhum pedido de conforto.
era assim, tal e qual, a alegria da inocência.

Quero

Quero dormir contigo, quero beijar os teus olhos enquanto dormes, quero encostar-me no teu peito e ouvir o teu coração,quero beijar-te o nariz e depois o lábio superior e inferior. Quero adivinhar todos os traços do teu corpo, quero poder levar os nossos sonhos, quero suspirar no teu ouvido, quero sorrir para ti mesmo que estejas a dormir, quero celebrar a nossa união.
quero-te a ti

Que doi.

E lá ando eu à roda sem saber bem para onde me levas. Apelido o amor com vários nomes. Desta vez, consigo chamar-lhe de surpresa inesperada. Hoje, estás tu a mostrar-me as linhas que um dia achaste que tinham sido apagadas . Hoje, é o tudo ou o nada. Hoje, ou me guardas ou me relembras.

Percebe.

és como um pássaro livre, nunca vens para ficar. és como a instabilidade da vida e procuras sempre mais em cada canto. mas afinal sou mais parecida contigo do que pensava, apenas existe um diferença.enquanto que tu procuras fora de mim,eu procuro dentro de ti. procuro a minha instabilidade na tua e és todos os dias a minha ambição que todos os dias encontro menos. nunca te disse que éramos parecidos pois não? e tu,apesar de nunca vires para ficar,sabes mais dos meus segredos do que eu própria. mas sempre me faltou um segredo e que sempre te escapou. e que vai continuar a escapar-te porque desta vez sou eu que te vou sussurar quando vieres para ficar. é bom que te apresses,porque o segredo escapa-se também. sabes,tenho saudades tuas. sempre me conformei com estas linhas paralelas entre nós porque foram elas que me fizeram chegar ao teu coração e me deram a provar um bocadinho da tua vida mas e se por ventura,quiser provar um bocadinho mais? talvez quanto mais provar da tua,mais tu tenhas vontade de provar da minha. não te desiludes porque sei que te vais rever. não te vais rever fora de mim,mas dentro de mim. e é só isso que e quero. só isso que eu quero nem que seja por uns instantes, para sempre na realidade.

Descobri que o amor me move mais do que eu pensava. Que sou capaz de escrever um “sim” por cima do “não” só porque senti o coração mais cheio naquele momento. Que sou capaz de agarrar de novo mesmo quando digo que não me faz falta. que não me faz bem. que não me pertence. Descobri que não sei fugir ao que sabe maravilhas,aos sonhos,ao que me dá nostalgia. Que o meu orgulho se esconde quando o amor passeia pela casa,ás vezes com feridas. Descobri que caio em tentação. Que o amor é uma pequenina droga que ás vezes tenho que a pôr no bolso para não me desorientar. Para não me queimar. Para não deixar as palavras em vão que ontem tiveram o significado que lhes mereceu. E há o bom lado disto que me faz deitar lixo para trás das costas mas há o mau que me deixa não merecedora dos meus discursos. Que me deixa ser levada e manipulada. Que me trai a determinação. Preciso de dizer baixinho todos os dias que não sou a minha maior inimiga e que sei tratar de mim até nas horas mais vazias. Que consigo,que consigo. É bom movermo-nos por algo mesmo que nos deixe ficar mal, mesmo que nos deixe a meio da estrada. A estrada que ás vezes nos consome e outras que nos faz escorregar no chão molhado.

não te sei negar. todas as partes do meu corpo chamam por ti assim que se ouve o teu ruído. não há como o negar. se eu pudesse,se eu pudesse,pegava em ti a meio da noite e guardava-te na minha cabana perto da praia. não te sei negar ainda mais quando sei que não és garantido. que vontade de me preencher,que vontade de arrancar a tua pele e colar na minha. que vontade de caminhar a teu lado às três da manhã,que vontade de ficar acordada a passar-te a mão no braço,que vontade de chamar por ti e ver-te ao fundo da rua, que vontade de agarrar o tempo e fazer dele o leite da meia noite,que dura eternidades,que vontade de ficar sentada na lua a espreitar-te a janela. fica comigo aqui,de mão dada. fica comigo aqui e dá-me um bocadinho do teu cheiro. amor apressado que corre entre as janelas do ultimo comboio da noite. amor apressado,cheio de esperas. amor que espera beijar na chuva,no meio de tudo e de ninguém. digo tantas vezes que não te quero perder,apesar de não te ter. mas mesmo assim,não te quero perder. nem mesmo nas horas de sono e sonhos vadios. e tu,não tenhas medo. se quiseres,guardo-te o coração para ninguém lhe tocar. guardo e não o amo demais. amo na medida certa,como te der mais prazer. diz-me se quiseres. manda-me um bilhete por baixo da porta,manda-me um sim desenhado no céu. e olha,espero que não apanhes o próximo comboio. espera mais um bocadinho,até que faça o meu coração acalmar. deixa-me olhar-te um bocadinho mais nos olhos e saber exactamente a cor que os define. deixa-me preencher-te com as minhas impressões digitais,de levezinho. juro-te que vai saber ao paraíso. como eu gostava de apanhar o comboio contigo,contar as gotas da chuva e sair a meio da viagem para te contar as minhas histórias enquanto andamos em frente. há qualquer coisa que me diz que tens tanto para me ensinar e talvez seja o gostar tanto de ti. mas os teus olhos não mentem e dizem-me que gostas de ser descoberto e logo de seguida,descobrir. não te vás já. tenho o mundo todo na mão para te oferecer. tenho o sol,os mares,as tempestades,o quente e frio que te abraçam enquanto estiveres comigo. não te vás enquanto as gaivotas ainda estiverem por cima de nós. não é agora que tens de partir,ainda não. confia em mim,o comboio já vai cheio e a minha casa está vazia apenas com o calor da lareira. nada mudará,apenas a cor do céu que estará feita para nós os dois,com a tua cor preferida e com a minha cor preferida. talvez seja a mesma,quem sabe. quem sabe que até te poderei ensinar a amar,todos os dias,na medida certa,sem questões. hoje,não te vás. Porque ir é tão fácil? 

hoje renasci das cinzas. só me apetece fazer bolachas em forma de coração,beber da mesma chávena de leite,fazer cócegas nos pés,apertar bochechas e dizer meu amor o dia inteiro. alguém me deu um sinal de luz qualquer porque hoje não é só o hoje. é a calma,sou eu de novo. cheia,cheia de ti. é miserável saber que é passageiro

Lose yourself

fazes-me mais falta hoje do que me fazias ontem e provavelmente farás mais amanhã do que hoje. e não é falta da pessoa que és. nunca me chego a ninguém com o coração. só com o corpo e com pequenos pedaços da alma,os pedaços exteriores. faz-me só falta o arrepio na espinha,o teu olhar constante,as palavras sedutoras e os teus gestos impulsivos. sem meias medidas. O mais certo é nunca mais teres chamado por mim. nem sequer teres mencionado o meu nome com o mesmo sorriso escondido e com os pensamentos que divagavam. Tudo isso porque nunca te mostrei mais do que o que quis mostrar e o que mostrei não foi suficiente. Sei que ninguém é igual a mim. Estou habituada a receber igual ao que dou,e contento-me com o pouco. Passou a ser só esses os sentimentos,restritos e auto-suficientes. Tenho medo do que existe para lá. tenho medo do que se segue a seguir ao arrepio,a seguir ás batidas fortes. Tenho medo de me deixar levar. Neste nosso caso,talvez único e exclusivo,eu teria arriscado. se não tivesses apagado o teu rasto,eu teria flutuado sem querer saber. enfeitiçaste-me devagarinho e talvez o devagar seja o que melhor se encaixa em mim. E quando desse conta,já estaria perdida aí algures no meio do campo,deitada e solitária. Penso sempre nos fins dramáticos,penso sempre que sou deitada fora tal como faço a mim mesma e a todos os que tocam no meu coração sem pedir licença. Conheceste-me talvez. E isso deixa-me no estado mais nu e vulnerável que algum dia conheci. Assustaste-te talvez. Não criaste expectativas. olhaste para mim e eu deixei de te fazer sentido. E por isso,prefiro manter-me em segredo. Prefiro quebrar do que ser quebrada. mas prefiro quebrar de mansinho,fugir fugazmente. Nunca ninguém se importa. Nem sei se posso chamar a isto de buraco negro,não sei se posso chamar de viver a sobreviver,não sei se chame de coração pesado de nada. Porque eu sinto um peso,mas nunca o consegui descodificar. Tem que ser nada,se nunca o enchi. mas sinto-o pesado e tem passado para o meu corpo e do meu corpo para o meu olhar,que cada vez é mais fugitivo,caído e vadio. Sinto a tua falta e talvez sinta falta do teu devagar feitiço que aos poucos ia ganhando outras palavras. Foste um intervalo no tempo e nas minhas contínuas horas de tortura. Até ao dia. E hoje sinto-me cansada e pesada mais do que ontem. Talvez tenhas-me chegado mesmo ao coração. E não foi preciso pedires licença,acho que o abri quando conheci o para lá das nuvens,em noites,em feitiços,em desejos eternos.

aquilo que mais me dói é o partir sem avisar. sem uma carta dobrada com um beijinho de despedida. sem o sorriso melhor que os outros. sem a explicação subentendida. aquilo que mais magoa é o tempo a pregar rasteiras. o tempo a dar-nos chapadas na cara. o tempo a fingir que nos ouve. o tempo a iludir-nos do regresso. o tempo a pôr camadas de previsões,previsões que são miragens. aquilo que mais magoa…é o deixar de ser presente. é as conversas vagas sem a rotina que um dia nos disse tão pouco e hoje nos diz o quase tudo. É o passar a pensar a quem as nossas palavras realmente interessam. É o passar a dizer cada vez menos. É o passar a acreditar cada vez menos. É um passado estranho. um passado que nunca o quis ser. Um passado que dizia frases soltas e que mais tarde ou mais cedo,se deslocaram dos corações mais pequenos. cada vez mais pequenos. É talvez a vergonha. a vergonha da ingenuidade. a vergonha de um dia termos levantado a voz a dizer que importa. a dizer que só nós sabemos. É a vontade de mandar quilos e quilos de palavras à espera do alívio na garganta,à espera do “eu estou aqui”. É o silêncio. É a pergunta constante de…será que desisti? É o querer prever. É estas voltas na barriga que me reduzem a tão pouco. Ao  pontinho de luz que quero que ainda se veja. És tu. a fingir que eliminas os problemas e que vives sem preocupações. que vais andando no dia a dia e recusas que o sol se esconda. És tu que deixas de ter percepção. que deixas de notar a presença constante. a mão que passava todos os dias no ombro. E sou eu, que passo a viver dessa memória e dos esquemas falhados. Que todos os dias não são dias,porque há sempre um reservado ao regresso. 

“Ás vezes é preciso afastares-te das pessoas que mais gostas. Mas isso não quer dizer que as amas menos.. às vezes amas ainda mais”             
                                                                                                                  
 Nicholas sparks